Têndencias de Franquias para 2019 e 2020

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O mercado de franquias no Brasil está em constante expansão nos últimos anos. Em 2018, cresceu 7,1% e aumentou a receita em R$ 175 bilhões em relação ao ano anterior. A projeção para 2019, segundo a ABF (Associação Brasileira de Franchising) é que esse aumento alcance 9%. Esses resultados devem-se a profissionalização do franchising e a diversidade de opções formatadas, que têm atraído cada vez mais investidores.

Os resultados do último ano e pesquisa com consultores especializados em formatação de franquias, nos levaram a escrever esse conteúdo para você, que pensa em investir em 2019 ou 2020.
Segundo Lucien Newton, especialista em gestão de negócios e diretor da Loja de Franquias, os números estão crescendo no Brasil, mesmo em época de instabilidade econômica porque o franchising traz confiança ao investidor.

A consultora e formatadora de franquias da JPGT, Ângela Silva, concorda com Lucien, porém acredita que há passos a seguir: “Nós estamos no rumo à consolidação do sistema no Brasil, mas temos um caminho a percorrer em relação à gestão, sistemas e programas de incentivo”.
Para Marcelo Cherto, CEO do Grupo Cherto, as franqueadoras terão que prestar extrema atenção no comportamento do consumidor. “As lojas que não se adequarem, principalmente agora com a tendência omnichannel, se tornarão irrelevantes”, afirmou.

O relatório da ABF sobre os segmentos que mais cresceram em 2018 nos dá base para debater quais serão as tendências para os dois próximos anos.

Diagnóstico

Para identificarmos quais as tendências de segmentos do franchising em 2019 e 2020, precisamos diagnosticar quais as dores e necessidades do consumidor atual. No cenário político-social, as mulheres se empoderaram. Em 2016, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), se considerar cidadãos com ensino superior acima de 25 anos, elas somam 23,5% da população em questão, enquanto os homens, 20,7%.

Seguindo essa linha, a estrutura familiar também mudou. Mulheres e homens trabalham, em geral, no período comercial e têm tempo limitado com a família. Por isso, muitos casais optam em não ter filhos, ou ter apenas um.

Esse cenário levou a um segundo: a humanização dos animais de estimação. Seja como companhia porque a pessoa mora sozinha. Para o filho brincar já que não tem irmãos. Ou para a diversão e carinho de toda a família. Independente do caso, espaços tornaram-se petfriendly para atender essa grande parcela da população que possui um bichinho e a vontade de mantê-lo por perto.

Entendendo, mesmo que de forma superficial, esse cenário, concluímos que as tendências de fato atendem as necessidades do formato da família atual.

Resultados 2018 e tendências 2019 e 2020

Entretenimento e Lazer foi o setor que apresentou maior ascensão em 2018 em relação a 2017, 12,7% e segue como tendência para os dois próximos anos. Esses indicadores demonstram uma identificação maior do brasileiro com jogos e em atividades para a família, como já citado acima.
“Estou neste momento colaborando na formatação de duas marcas de parques temáticos”, contou Ana Vecchi, CEO da Ana Vecchi Business Consulting. Ela explicou que esse segmento é uma tendência, porque as pessoas buscam espaços em que possam estar junto com os seus amigos e familiares. E esses complexos, normalmente alocados em shoppings centers, oferecem alternativas para todos. Além disso: “São opções para festas de aniversários ou datas específicas como dia das crianças”.

Há também, conforme identificamos, uma própria demanda do mercado. Os shoppings e restaurantes estão tornando seus espaços confortáveis para todos os membros da família, inclusive os pets. Unir em um só local diversão e serviços para todos é essencial.

Exatamente por isso, Serviços e Outros Negócios também avançou bem em 2018 com variação positiva de 8,7% em um ano. O segmento Pet se enquadra neste setor dentro da ABF, mas deve ganhar espaço exclusivo diante dos destaques apresentados nos últimos anos e por ser também uma tendência apresentada pelos especialistas.

Ana Vecchi reforça o diagnóstico apresentado neste Ebook: “As pessoas estão casando-se cada vez mais tarde por priorizar a carreira”, explicou ela, que completou: “Por isso, a companhia de um animal de estimação é comum”.

“Uma casa com pet é mais feliz. Para fazer companhia…”, identificou Cherto, que acrescentou que a vantagem do segmento é trabalhar com a experiência de compra: “Tem algo mais incrível que colocar um filhote no colo de uma criança? É tudo que o consumidor está buscando, ir à uma loja física e se encantar”.

Diante da demanda eminente por mais ofertas e profissionalização do mercado Pet, investidores têm apostado nesse segmento, que movimenta mais de R$ 19 bilhões ao ano. Além disso, é um setor que pode apresentar lojas multiformatos, desde pequenas até mega unidades. Dentro ou fora de shoppings centers. Atende a todas as classes sociais e públicos de todas as idades, com ajuste de mix de produtos e valor dos serviços.

“É um mercado que evoluiu e se consolidou no franchising pela inteligência do negócio e por trabalhar para diversos públicos”, acrescentou a CEO Ana Vecchi Business Consulting.
Comunicação e Tecnologia foi o quarto segmento que mais cresceu em 2018, 7,5%, e, assim como o setor Pet, é unanimidade entre os entrevistados como tendência para 2019 e 2020. Porém, para Cherto e Dênis Santini, CEO do Grupo MDCOM, a área é mais um meio de trabalho do que um fim.

Isso porque o mundo avança rapidamente em novas ferramentas, softwares, celulares, computadores, que facilitam o funcionamento e a gestão dos negócios. Lucien explica que “as empresas querem estar sempre atualizadas e entendem que essas áreas são fundamentais para atender de forma mais efetiva os clientes na atualidade”. Ana Vecchi acredita que este segmento deve seguir em alta ainda por alguns anos porque as crianças de agora já nasceram conectadas e estão acostumadas com toda a informação que a tecnologia proporciona. “Investir em escolas que ensinem os pequenos desde cedo como desenvolver e interagir com esse mundo é extremamente inteligente neste momento. Até porque, algumas profissões comuns que conhecemos hoje vão deixar de existir em pouco tempo”, falou.

“Não existe mais negócio sem tecnologia”, falou Santini que explicou: “A análise de dados do consumidor é o novo petróleo, por isso acredito que a tecnologia será sempre um meio de agregar valor aos mercados, não necessariamente o segmento fim”.

O setor de Saúde, Beleza e Bem-estar apresentou crescimento de 6,3% no ano passado em relação a 2017. Não representou um aumento tão expressivo diante dos outros segmentos que apresentamos acima, porém movimentou muito mais que esses mercados, faturamento de mais de R$ 30 bilhões no ano.
Deve seguir por um tempo como tendência porque o acesso à informação é maior e as pessoas entendem, cada vez mais, que cuidar de si reflete diretamente na sua vida profissional e nas relações interpessoais.

“Um fator importante a se destacar para identificar esse segmento como tendência é o próprio empoderamento feminino”, apontou Ângela, que concluiu: “As mulheres sempre se preocuparam mais com a saúde e o bem-estar do que os homens, mas nem sempre era possível. Agora, elas sabem onde encontrar e podem usufruir desses serviços”.

Ana Vecchi vai além e diz que isso também se deve ao acesso e a atenção agora dada as classes C e D. “As franquias odontológicas, por exemplo, foram formatadas para atender a esse público, com facilidades em clínicas presentes nas periferias e facilidade nos pagamentos”.
“O crescimento do poder aquisitivo da classe média, colaborou para o aumento da autoestima da população”, falou Santini que explicou: “Depois das necessidades básicas, as pessoas estão buscando envelhecer bem”.

Alimentação foi o segmento com maior faturamento em 2018, mais de R$ 45 bilhões. O setor segue como boa opção de investimento pelo número de franquias formatadas. Também podem apresentar lojas multiformatos e, inclusive, opções de quiosques.
“A verdade é que as pessoas deixam de fazer tudo, mas não deixam de comer”, afirma a consultora da JPGT.

Cherto concorda com Ângela e acredita que a busca agora é por alimentação mais saudável. Conforme nós indicamos acima: “as pessoas têm mais acesso à informação e vão atrás do bem-estar”, completou.
Além disso, as leis trabalhistas pedem que as empresas ofereçam valor para que os funcionários se alimentem e os benefícios como vale refeição incentivam as pessoas a comer fora de suas casas, colaborando para que as franquias do segmento de alimentação sigam sempre em alta.
Há de se atentar às tendências de produtos: caso das paletas mexicanas, frozen yogurt ou cupcakes, que podem ser explosivas, porém por pouco tempo.